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Técnicas para modelagem de um Flamboyant (3)

Parte 3

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SEMEADURA

Para que consigamos boa taxa de germinação das sementes de Flamboyant é necessário que estas sejam tratadas previamente. Para isso basta raspar com intuito de escarificar a ponta das sementes em superfície áspera, ou colocá-las em água de dois a três dias para que o tegumento (casca) amoleça ou mesmo em água quente a 80º C por 3 a 5 minutos e depois deixar esfriar naturalmente antes de plantá-las em sacos individuais com solo organo-argiloso. Esses procedimentos são realizados somente por ocasião da semeadura.

ESCOLHA DAS MUDAS E TRATAMENTO INICIAL DAS RAÍZES

Quando as mudas estiverem com aproximadamente uns 20 cm de altura retirar dos sacos plásticos tomando cuidado com as raízes. Feito isso retire todas as folhas cortando-as pela haste de sustentação utilizando uma tesoura de poda e logo em seguida desmanche o torrão cuidadosamente até que as raízes estejam totalmente desprovidas de solo com um pedaço de bambu tipo espeto para churrasco. Identifique agora as raízes laterais mais superiores e em maior número. Dê preferências para umas cinco dessas raízes laterais e corte a raiz pivotante, que fica logo abaixo dessas raízes laterais. A raiz que chamo pivotante é a que desce verticalmente logo abaixo do tronco e bem próximo às raízes laterais. Replante a muda em vaso individual de barro ou plástico rígido.


COMPOSIÇÃO DO SUBSTRATO

Uma boa composição para o substrato seria 70% areia de obra + 15% terra preta + 15% barro, porém antes passando as partes separadamente pela peneira de feijão, depois pela peneira de arroz e por fim na peneira de fubá. Utiliza-se apenas o que fica retido nas peneiras de arroz e fubá, misturando posteriormente os componentes para se fazer o substrato. É necessário que se passe nas peneiras, para que separemos os grãos de granulometrias ideal, pois ao fazermos isso, estamos criando um microambiente ideal para o sistema radicular, além de criar interstícios, que são extremamente importantes em todo o processo de modelagem do futuro bonsai, que consequentemente levará a uma modelagem mais fidedigna a uma base de árvore em miniatura. Esta composição pode ser usada em todas as fazes da planta até chegar a ser um bonsai. O que fica retido na peneira de feijão pode servir de dreno no fundo do vaso. A terra preta pode ser substituída pelo solo de compostagem e a barro pelo saibro.


REPLANTIO

O replantio é feito durante a primavera. Dê preferência para o vaso de barro ou vaso plástico rígido baixo e de boca larga, colocando uma tela plástica ou uma tela metálica no dreno caso este seja grande. Coloque agora o substrato pela metade do vaso, depois centralize a muda posicionando as raízes de forma bem radial ao vaso. Agora coloque mais substrato recobrindo as raízes e usando novamente o espeto de churrasco acomode o solo cuidadosamente. Fazendo uso de um fitilho fixe a muda no vaso. Geralmente é passado o fitilho ao redor do tronco em forma de cruz amarrando este na boca do vaso quando este tem uma borda, ou passando em cruz no fundo do mesmo como se fosse fazer um embrulho. Isso é importante para que o vento assim como outras coisas não possa vir a derrubar a muda. Retire o fitilho depois que a muda estiver bem enraizada.

 

 

REGA E ADUBAÇÃO


A composição acima descrita para o substrato facilita bastante o manejo com a planta, mas sabemos, de antemão, que cada região tem suas peculiaridades com relação ao clima e ao local onde se encontram as mudas. Isso significa em mudanças nas quantidades de regas a serem feitas e também o modo de como são realizadas as mesmas. No que se refere às quantidades das regas, mesmo que você repita esta operação de duas a três vezes ao dia, o importante é manter o solo sempre úmido. Já quanto ao modo ou qualidade das regas, dê preferência para regadores tipo chuveiro, ou mesmo ao utilizar mangueiras d’água propicie uma chuva homogênea sem que se remova o solo do vaso. Esse último é conseguido, por exemplo, pressionando um dos dedos da mão de encontro à ponta desta mangueira.
Quanto à adubação esta é necessária, uma vez que a planta está limitada a um vaso, onde existe pouca oferta de nutrientes. Também com o intuito de prolongar a permanência desta no mesmo vaso durante o processo de modelagem inicial. Ler Técnicas para Modelagem de um Flamboyant I e II. A periodicidade da adubação é ditada mais pela planta, uma vez que é observado o consumo integral do adubo na superfície do substrato pelo mantenedor. Pensando assim, utilize apenas adubos orgânicos sólidos de liberação lenta por serem mais naturais. Já os adubos químicos sólidos dissolvem mais rapidamente com as sucessivas regas, trazendo resultados artificiais que irão confundir o observador (mantenedor) quanto às dosagens a serem administradas regularmente e, pior ainda, podendo até vir a matar o exemplar em questão.

Técnicas para modelagem de um Flamboyant (2)

Parte 2 – Incisões

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As incisões ou riscos na base da planta são realizados, para se conseguir imitar com fidelidade as raízes tabulares (projeções basais) que ocorrem em alguns casos nos exemplares em tamanho natural de um flamboyant. Essas são realizadas durante a fase ativa e respeitando o sentido das raízes laterais do exemplar em questão. São escolhidas pelo menos umas cinco raízes laterais para se reproduzir esse sistema radicular, ou tecnicamente falando o “nebari” da planta. Porém antes de fazer tem que se retirar a raiz primária, chamada também de “raiz pivotante”, e outras que estão indo para baixo. As incisões têm que estar alinhadas com as raízes e são realizadas longitudinalmente. Esse procedimento não irá estimular o surgimento de novas raízes e sim irá estimular a cicatrização no local. Para tanto, deixe a área riscada acima do solo, já as raízes, podem ficar enterradas até que consigamos obter as projeções desejadas. Quanto ao comprimento destas incisões é de acordo com o gosto de cada um.

Não é necessário fazer uso de qualquer tipo de cicatrizante, apenas faça esta intervenção salvo a planta estar em bom estado de saúde. É importante também esperar fechar, cicatrizar o corte, para repetir este procedimento. Até que isso aconteça, observa-se que os cortes apresentam uma coloração diferenciada do tronco. Quando a área estiver com a coloração homogênea refaça as incisões nos mesmos locais, respeitando sempre a fase ativa da planta. Melhor deixar ele praticamente fechar a cicatriz, para poder ter tecido vivo para cortar. Utilize um bisturi ou mesmo um estilete limpos para fazer as incisões. Depois que houver a cicatrização, obviamente não aparecerá o corte que se fez e só depois disso que é refeito este procedimento. Ao tomar estas precauções notamos que formará umaprojeção na parte basal do tronco, então teremos que repetir essas incisões até que fiquem bem proeminentes e tão similares como as raízes tabulares de um exemplar em tamanho natural. As incisões são realizadas uma vez por ano, respeitando cada ciclo anual da planta. Escolha os exemplares que estão com pelo menos uns 2 cm de diâmetro ou os que já estão com casca no tronco.

Pode-se fazer este tipo de trabalho quando a planta sair do estágio de letargia e em plena atividade, sempre apresentando boa saúde. Porém ainda não é feito nas raízes. Estas chegam bem próximas e são mantidas neste momento recobertas com solo. Quando a planta estiver mais desenvolta quanto às projeções se dá início as incisões nas raízes. O motivo seria de elas estarem gerando tecidos novos que iriam recobrir a ferida anterior e ao contato com o solo, ficariam vulneráveis a contaminação. A cicatrização faz com que o caule fique mais grosso na seção onde foram realizadas as intervenções, ao mesmo tempo as raízes, que estão enterradas, vão engrossando também. Para imitar o nebari de um Flamboyant, é necessário fazer incisões sucessivas nas áreas pré-determinadas, conforme anteriormente descrito, sempre respeitando o sentido das raízes laterais. Salvo exemplares não muito pequenos não existem restrições quanto às incisões serem profundas.

Ao se fazer a próxima troca de solo no final do inverno, início da primavera e vendo que já existem calosidades na base, que são asprojeções basais descritas, pode-se reduzir bem o volume das raízes. Agindo assim, haverá uma maior redução das folhas. Chegando o outono, retire todas as folhas deixando apenas as hastes que sustentam os pecíolos. Com isso e controlando as regas, mais compactação iremos conseguir com relação à folhagem. As incisões têm que ser realizadas quando a planta estiver em plena atividade, que compreende os meses mais quentes do ano. No inverno não é conveniente tomar deste procedimento, pois a planta está com o seu metabolismo baixo.

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Técnicas para modelagem de um Flamboyant (1)

Parte 1 : Tração do galho

Nome comum: Flamboyant

Nome científico: Delonix regia

Família: Fabaceae Caesalpinioideae, Caesalpineae

Origem: Madagascar

Etimologia: Delonix, do grego delos, evidente, notável e ônus, uma, referindo-se as pétalas notavelmente unguiculados. Regia do latim regium-a-um, real, pela sua grandiosidade quando está em flor.

Floração: setembro/dezembro.

 

Árvore de flores exuberantes com tonalidade avermelhada, de copa frondosa e espalhada que proporciona boa sombra. Suas raízes tabulares (formato de tábua) crescem junto à base do tronco, conferindo um aspecto notável à espécie. É muito utilizada em amplas áreas, como praças e jardins.

 

 

Descrição: Árvore caducifólia de 6-15 m de altura, com a copa em forma de sombreiro e o tronco mostrando-se sinuoso ou reto e pouco áspero. Folhas bipinadas de 20 – 40 cm de comprimento, com 10-15 pares de pinas, cada uma tem de 12-20 pares de folíolos oblongos, de ápice e base arredondada, de cor verde claro a verde escuro. Flores vermelhas / alaranjadas aparecem quando a árvore carece de folhas e estas se dispõem lateralmente nos ramos. Cada flor mede 10-12 cm de diâmetro e tem um cálice com cinco sépalas hirsutas, a corola com cinco pétalas desiguais e um androceu com 10 estames largos, delgados, de cor vermelha. Os frutos são muito coriáceos, de 40-50 cm de comprimento, plano e retorcidos de cor castanha quando maduro. Estes permanecem presos a árvore durante todo o ano.

 

 

INTRODUÇÃO

 

 

O texto abaixo onde se descreve técnicas, foi com intuito de elucidar algumas observações com relação à modelagem da espécie Delonix regia, pois sempre ouvia dizer que um flamboyant não era uma das espécies mais indicadas para se trabalhar e era por isso que não víamos exemplares como bonsai. Muitos diziam que era pelo motivo de ter folhas e flores grandes, galhos que secavam do nada e um lenho muito duro, difícil de modelar com o arame. Via-me por conta disso intrigado, porque para mim seria uma das espécies que gostaria de ter como bonsai desde o início. Também não existiam imagens nem tão pouco técnicas relacionadas, que iriam me orientar a fazer de um flamboyant bonsai.
Foi a partir de muita observação e paciência que se chegou até aqui no momento. Ao se aplicar técnicas como a tração em conjunto com as incisões na base para a espécie consegue-se resultados bem interessantes, fazendo com que os exemplares se mostrem mais fidedignos.
A abordagem relacionada à técnica de tração irá mostrar como de fato não podemos desistir logo aos primeiros obstáculos e sim seguirmos em frente. Sendo perseverante, bom observador e principalmente colocando a mão na massa é que conseguimos aprender algo de novo. Todavia sabemos que qualquer tipo de concepção artística está sempre em evolução, trazendo com isso outros acontecimentos. Principalmente se levarmos em consideração de estarmos modelando um ser vivo e a forma individual de interpretação, todas essas intrínsecas teias de conceitos contida na arte do bonsai a torna ainda mais diversa. Sendo assim, qualquer tipo de crítica e sugestão, que por ventura venha a contribuir para evolução deste trabalho inicial de modelagem com a espécie será bem vinda.

 
 

TÉCNICA DA TRAÇÃO DO GALHO

 

 

A técnica da tração empregada no Flamboyant foi quase uma conseqüência, devido às suas características. Diversos exemplares que vemos plantados em praças e avenidas pelo Brasil apresentam em sua forma original galhos pendidos, dando a copa da árvore uma forma de sombreiro. Outra característica seria um lenho quebradiço de baixa durabilidade às intempéries naturais e também a morte espontânea de alguns galhos. Estes secam naturalmente e caem cedendo o lugar a um novo que irá a busca de um lugar ao sol. Isso acontece tanto em exemplares plantados no chão quanto nos bonsai, pois é da natureza da espécie.

Foi a partir dessas observações dos exemplares em tamanho natural, que a técnica da tração foi concebida, pois ao se tentar reproduzir inicialmente o aspecto original, os galhos eram aramados por completo. Procedimento este que deixava por sua vez marcas profundas nos mesmos e obstruíam o aparecimento das novas gemas (brotações), quando eram posicionamos para baixo. Porém deixando amargem do galho apontado para baixo, como se fosse uma bengala, fez com que novos brotos surgissem mais para o interior e no dorso/lateral deste galho. Conforme os brotos fossem se consolidando, a margem do galho secava logo em seguida.

Esse fato é devido ao hormônio de crescimento da planta, que se localiza nas áreas onde há incidência da luz solar, ou seja, o modo que a auxina atua nesta espécie. A auxina nada mais é do que o hormônio vegetal básico encontrado em diversas espécies de plantas e este, assim como outros hormônios, são responsáveis pelo crescimento dos vegetais. As margens da planta mais exposta ao sol ficam repletas desse hormônio e assim as novas brotações vão surgindo e a planta cresce.

A partir dessas novas observações concluísse que a retirada do arame de boa parte do galho, fazendo somente uma tração, é que se obtém um melhor modo para modelagem da parte aérea de um flamboyant. Também é a partir das trações sucessivas, que se da seqüência ao processo de multiplicação, tornando os galhos bem dicotômicos (=dicotomia), consequentemente a copa da árvore fica com um arranjo de galhos mais denso. Pode-se enrolar o arame na extremidade deste galho para dar mais pega, prendendo a outra extremidade na borda do vaso, por exemplo. Isso irá ajudar o surgimento de novos brotos, futuros galhos, mais para o interior e no dorso desse galho. Depois que estes se consolidarem é podado as extremidades dos galhos primordiais até onde esteja seco, ou mesmo pode-se podar próximo a esses novos galhos. Esta técnica, descoberta recentemente, se torna a mais apropriada para a espécie. Aplicando-a sucessivamente a compactação da copa, irá aparecer e os cortes, que foram realizados anteriormente fecharão com mais facilidade.

Durante o processo de modelagem, quanto mais estimulamos uma nova brotação para que surjam mais galhos ficamos sem a floração. Porém este procedimento se torna a melhor maneira para se conseguir, em curto espaço de tempo, um exemplar em escala compatível com bonsai, sem cicatrizes e também fazendo uma comparação com uma poda drástica, a técnica da tração se mostra menos agressiva à planta, além de não deixar cicatrizes. Esta só é empregada depois que os galhos estão consolidados. Provavelmente alguns desses galhos novos irão sucumbir também, pois é assim a natureza dessa espécie. Esse tipo de modelagem é realizada no inverno, pois os galhos estão mais maleáveis e a folhagem menos densa. Outra opção seria quando eles estivessem com a coloração mais amarronzada, mas nunca enrolando o arame nesses galhos por completo, para não prejudicar as novas brotações e, principalmente, para não criar feridas e em alguns casos cicatrizes muito feias, difíceis de serem corrigidas.

Outra técnica conhecida no bonsai seria de se retirar a gema apical, para estimular as novas brotações. Porém como foi descrito anteriormente, posicionando os galhos para baixo, para dar a forma de um sombreiro, a espécie como resposta “aborta” a seção marginal deste galho, sendo então desnecessária tal prática. Já a tração estimula o crescimento de novos brotos no dorso/lateral do galho tracionado e em maior quantidade.

Outro fato interessante observado é quanto à técnica da desfolha, que tem como o principal objetivo a redução da folhagem e criar um arranjo dicotômico ainda mais refinado. Ao se retirar a folha por completo, junto com a haste, o que chamamos de “pinçagem”, observa-se que os galhos pinçados secam. Acontecendo isso, é notório que não existirá emissão de novas gemas, fazendo com que o principal objetivo não seja alcançado. Para contornar este problema, o ato de podar simplesmente as folhas no outono deixando as hastes e controlando as regas trazem melhores resultados.

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A Pintura Chinesa e a Arte do Bonsai: Possíveis Convergências

Não poderia passar em branco, para nós amantes da Arte do Bonsai, uma pessoa que dedicou uma vida aos estudos da cultura chinesa. Dentre os estudiosos da China, há vinte e quatro anos atrás o sinólogo (中國通) brasileiro Riccardo Joppert foi o único que se aprofundou no tema “microcosmo” e que, com muita sabedoria, extraiu informações pertinentes de como a Arte do Bonsai migrou para o Japão. Nos traz principalmente um universo distante, onde toda uma população já se preocupava com o que ele descreveu como: “… o mundo em escala reduzida num vaso de planta…”.

 

A Pintura Chinesa e a Arte do Bonsai: Possíveis Convergências (Visualizar)

 

Concedida a publicação digital na íntegra pelo autor logo cima, a mesma é inédita para o universo do bonsai. Outras informações sobre o autor acessem:

http://ricardojoppertchinacursos.blogspot.com/

http://bonsaistudio.wordpress.com/

Origem dos vasos para bonsai

No início das civilizações, a grande maioria estava de alguma forma desenvolvendo trabalhos em argila, fazendo vasos e outros artefatos que iriam auxiliar nas atividades diárias. Dentro dessa cultura, que estava se iniciando no mundo, os chineses não estavam de fora. Na arte de fazer vasos na China o trabalho mais espetacular registrado até o momento foram os vasos coloridos, que datam de 6000 a 7000 anos atrás. O melhor exemplo desses vasos ocorreu durante a cultura Yangshao [yang-hsiao] [仰韶文化] da Era Neolítica, cerca de 5000 a 3000 anos antes de Cristo, na parte noroeste da China, nas proximidades do Rio Amarelo. Diversos exemplares deles foram encontrados em perfeitas condições para mostrar ao mundo a riqueza da cultura dos Yangshao.

Junto com as cerâmicas coloridas de Yangshao, foram encontradas as cerâmicas de cor preta criadas por outra etnia chinesa, que também são de grande importância para a ciência por terem sido concebidas no neolítico. Elas datam de 5000 a 4500 antes de Cristo e está relacionada à cultura Hemudu, que existiu há aproximadamente uns 7000 anos atrás.
Os Hemudus costumavam pintar nessas cerâmicas plantas, animais e desenhos geométricos. A foto abaixo, mostra um pote oval medindo 11,7 cm comprimento com um javali desenhado, que tem a forma bem parecida com os vasos de bonsai atuais. Diversos tipos de objetos em cerâmica preta foram concebidos neste período, como tigelas, copos, jarros e vasos.

Quase que paralelamente a história das cerâmicas do neolítico surgiram também os artefatos em bronze. Achados arqueológicos sugerem que os chineses começaram a produzir artefatos em bronze no final do neolítico cerca de 2000 a 3000 a.C, nas próximidades do Rio Amarelo na China durante o período da cultura Longshan (龍山文化), quando ainda eram utilizadas ferramentas de pedra.

Estudos indicam, que outros tantos artefatos em bronze foram normalmente utilizados até as dinastias Shang (1723 – 1046 a.C) e Zhou (1034 – 246 a.C) por aristocratas da época na vida quotidiana. Diversos utensílios como pratos, tigelas, panelas, jarros e taças para vinho, recipiente para água e vasos para rituais religiosos fazem parte dos achados arqueológicos.

Abaixo vemos duas imagens retiradas do livro “Chinese pottery of the Han Dinasty” de Bertold Laufer, 1909, que mostram claramente a correlação das formas iniciais dos vasos para bonsai. A imagem a esquerda mostra uma cerâmica retangular da dinastia Han (206 a.C – 220 d.C), com detalhes florais em alto relevo, medindo 18,9 x 13,4 x 7,6 cm. Aparentemente uma imitação do bronze do estilo “fu”, vaso retangular geralmente com quatro pés que existia no início da dinastia Zhou. Ao lado desta, à direita vemos uma outra imagem mostrando uma tigela perfurada e uma vasilha em bronze que datam do mesmo períodoDepois das Dinastias de Qin e Han, o emprego de utensílios de ferro, laca e porcelana substituíram as peças de bronze

A maioria dos utensílios em bronze que foram criados espontaneamente no passado tem afinidade com as formas que vemos nos tempos atuais. Esse fato é devido a toda concepção de design e engenhosidade técnica, onde havia a preocupação de se criar o melhor formato para adequá-los ao uso de que se propunham.

Porém, mais do que qualquer outro material, a cerâmica é uma das manifestações plásticas mais antigas da humanidade. Pode-se dizer que pela sua disponibilidade na natureza e facilidade na criação, veio atender e superar durante muito tempo qualquer outro tipo de material empregado a estes propósitos. E assim, ela tem servido as necessidades e satisfeito os gostos estéticos de todos os segmentos da sociedade em quase todas as culturas na terra.

No entanto, a contribuição chinesa para arte da cerâmica é um fato não contestado. O registro da arte em cerâmica chinesa abrange 45 séculos. Em termos de sua pura produção e simplesmente, inovação técnica, refinamento artístico, diversidade estética e impacto global, os chineses podem vir requerer sua longa trajetória e também sua tradição em cerâmica. Esta por sua vez, foi valorizada inicialmente no extremo oriente como em outros locais por sua utilidade e acessibilidade relativa conforme constam em relatos históricos.

*Ver também: http://www.artofbonsai.org/feature_articles/pen.php

Origem das mesas para bonsai

A história do mobiliário chinês foi remontada por historiadores a partir de xilogravuras encontradas em escavações arqueológicas. Muitas dessas gravações em relevo continham o ancestral chinês ajoelhado ou sentado com as pernas cruzadas sobre esteiras rodeadas por várias mesas baixas. Incluíam-se nesse cenário também algumas pinturas (telas), pergaminhos e outros descansadores para os braços, as pernas e suportes para diversos utensílios. Outros exemplos de mobiliário foram encontrados em escavações que datavam do antigo reino de Chu, cerca do ano 500 antes de Cristo. Alguns deles eram decorados com padrões únicos em laca colorida e esculpidos em alto relevo á mão livre. Esses achados revelam o nível cultural do mobiliário daquela época, onde predominava a estética minimalista. Concomitantemente a fusão da forma prática e funcional se transformava em trabalhos artísticos únicos e se torna o principal condutor de toda concepção histórica do mobiliário chinês.

 

Registros que datam de 206 AC a 220 DC durante a dinastia Han indicam que inicialmente eram utilizadas plataformas baixas, chamadas de “ta” em cerimoniais de sacrifício pelos dignitários religiosos da época.

Posteriormente apareceram as plataformas que eram usadas tanto para sentar como para reclinar e estas serviram como exemplo na fabricação de mesas mais altas utilizadas durante as refeições diárias.

Já no segundo século depois de Cristo, com a influência do Budismo, percebe-se que as cadeiras e as plataformas ficaram mais elaboradas. Mas foi durante a dinastia do norte e do sul (386 a 586 DC), que começaram a aparecer com mais freqüência bancos mais altos feitos em rattan.

A partir da dinastia Tang (618 a 907 DC) essas plataformas e também as cadeiras se tornaram comum entre a elite de acordo com pinturas da época. Cenas encontradas em pinturas do período dos Song do Norte e do Sul (960 a 1279), bem como mais achados arqueológicos ajudaram a remontar todo cenário deste período, onde o mobiliário chinês já era comumente usado em todos os círculos da vida. Diversas cadeiras, mesas e bancadas foram amplamente utilizados nesta época. Muitos padrões básicos estabelecidos durante as dinastias Song continuaram amadurecer ao longo de todo o período Yuan e Ming. Mais tarde, durante os primeiros períodos de Ming e Qing móveis de estilo clássico foram produzidos em abundância utilizando-se madeiras mais duráveis. Após a queda da dinastia Ming, por volta do ano de 1644, a China novamente floresce em todos os âmbitos.

Este tipo mobília acima chamada de estante dos tesouros ou “Duobaoge” foi concebida durante a Dinastia Qing e era utilizada para exibir preciosos trabalhos artísticos. As Duobaoge eram fabricadas de diversas formas dentro da mesma concepção e poderia ter apenas a simples função de decoração. Até hoje são consideradas pelos especialistas como o trabalho de marcenaria de mais representatividade do mobiliário no período Qing.

As mesas altas para expor flores, chamadas na China de “huaji” ou “huatai” aparecem logo no início do período Qing. Muitos acreditam que elas somente constam nas pinturas chinesas da época com intuito de representar esse tipo de trabalhos em marcenaria no período.

Embora no início da dinastia Qing os marceneiros geralmente seguissem os padrões clássicos, houve uma tendência para o refinamento correlacionando-se com que se permearam todas as artes decorativas que vemos hoje. A imagem abaixo mostra duas mesas idênticas que foram concebidas provavelmente no início do século 20.

Por fim, todas as mesas descritas anteriormente têm sua importância histórica e servem como inspiração na fabricação de novos modelos de mesas em todo mundo. Também com certeza foram as percussoras na exibição dos primeiros trabalhos com bonsai.

Cicatrizante a base de cera de abelhas

Foi de uma simples observação que este cicatrizante natural surgiu. Ao me ausentar durante alguns dias da minha residência, o enxame de abelha jataí (Tetragonisca angustula), que tinha em casa, foi atacado por formigas. Quando retornei, ao observar o enxame, constatei que as abelhas tinham abandonado a colméia, fugindo para a mata local. Por mera curiosidade, abri a caixa de madeira onde estavam as jataís, para ver o que tinha acontecido com a colméia. Ao abrir a caixa, percebi que o mel na sua grande maioria não existia mais e que tinham dois tipos de ceras, uma de cor escura que laqueava o enxame e outra de cor clara, que era propriamente a colméia na sua parte mais interna. Ao colocar nas mãos constatei que estas ceras eram bem “liguentas” e de uma plasticidade incrível. Foi daí que resolvi experimentar como pasta cicatrizante nos meus bonsai. Como a quantidade extraída desta caixa era bem pequena resolvi acrescentar com um pouco mais de cera de abelha comum (Apis mellifera), com a intenção de aumentar o rendimento do cicatrizante. Esta primeira composição idealizada apresentou alguns problemas como enrijecimento e perda da plasticidade. Sabendo que a cera de da abelha jataí é bem mais elástica do que a de abelha comum, foram ajustados os componentes tornando o rendimento deste cicatrizante muito bom. A mesma é utilizada por mim até hoje, conforme procedimentos descritos no próximo parágrafo. Cabe ressaltar que a cera de Apis mellifera assim com a de Tetragonisca angustula é reconhecida por suas características terapêuticas, qualidades essas que irão intensificar a cicatrização dos cortes realizados durante os trabalhos de modelagem com bonsai, bem como outras áreas lesionadas.
Juntar partes iguais de cera da abelha Jataí e cera de abelha comum numa lata. Aquecer em banho-maria até que haja fusão desses dois componentes. Após disto, acrescentar uma parte de glicerina líquida e mexer. Depois que estiver bem homogêneo transferir para moldes feitos em papel vegetal. Deixar esfriar. Após resfriamento total retirar dos moldes separando manualmente as duas tonalidades de ceras, a clara da escura. Essa diferença de tonalidade ocorreu devido a existirem dois tipos de cera na solução, uma impura de cor escura que decantou com a ajuda da glicerina e a outra de cor mais clara que é a mais pura. É uma forma química de separação destes componentes. A cera escura só pode ser utilizada na cicatrização da parte aérea, que é a copa da planta, pois uma vez que esta é mais impura exposta ao sol não trará problemas. Já a cera de tonalidade mais clara pode ser utilizada tanto na parte aérea quanto na parte radicular da planta. Fazendo assim, ajudará consideravelmente na recuperação das raízes, após cortes realizados durante os trabalhos de modelagem do bonsai. Também pode se fazer uma aproximação colorimétrica da cera com a planta em questão, juntando as partes a gosto, consegue-se tonalidades mais próximas do exemplar a ser trabalhado. Com isso conseguimos camuflar mais os cortes, criando uma estética melhor no bonsai.

Dendrocronologia

É um método científico para estabelecer a idade de uma árvore, baseado nos padrões dos anéis em seu tronco. É estabelecida de acordo com o clima das épocas e, por isso, torna-se um grande método de datação absoluta dos climas passados. Esta técnica foi inventada e desenvolvida por Andrew Ellicott Douglass, fundador do laboratório Tree-Ring Research da Universidade do Arizona.
Uma das técnicas para datação é cortarmos transversalmente um pedaço do tronco ou galho de uma árvore, para que assim possamos ver o conjunto desses anéis, que são de tons claros e escuros, formando uma seqüência. Em seguida, a amostra tem que ser lixada para que assim consigamos retirar imperfeições deixadas pelo corte, tornando-a bem lisa, o que torna mais fácil a interpretação dos anéis de crescimento. Feito isso, posteriormente fotografamos essa amostra e depois editamos as imagens no computador com o intuito de investigar os anéis contidos na mesma. A seqüência de fotos acima são modificações geradas por computação gráfica de uma amostra de pinheiro negro semeado há mais de 60 anos. Foram feitos diversos contrastes nas imagens utilizando recursos do programa de computador Adobe Photoshop 7.0. Uma vez de posse das imagens digitalizadas foi possível fazer a sobreposição destas, com o intuito de se preencher lacunas das áreas de baixa interpretação cronológica. Ou seja, determinadas áreas onde se tinha dúvidas nas linhas de baixa e alta densidade desses anéis, uma vez que a amostra analisada sofreu diversas interferências humanas como rotação, adubação, rega e etc. Essas interferências modificam fisicamente as estruturas desses anéis de crescimento.

Casuarina equisetifolia

As Casuarinas foram introduzidas já faz um bom tempo ao belo cenário de Itacoatiara e estão por toda a orla da praia, se estendendo aos costões rochosos. Esta espécie veio da Austrália e se desenvolve em locais incríveis próximo ao mar. Em alguns trechos tornam-se dominantes, devido à espessa camada de folhas que caem no local, sufocando o crescimento das espécies nativas. Formando um sombreado denso e uma abundante camada de serrapilheira, com folhas e frutos que cobrem completamente o solo, eliminam a vegetação nativa adaptada às praias. Através das raízes, fixam nitrogênio por simbiose com actinomicetos (ou actinobactérias), sendo capazes de colonizar solos de baixa fertilidade. Uma vez estabelecidas, alteram radicalmente as condições de luz, temperatura e química dos solos. Competem agressivamente com a vegetação nativa e alteram o habitat de diversas espécies da fauna. São de grande resistência aos ventos fortes, crescem até em fissuras nas pedras e adaptam-se com facilidade a vários ambientes, tolerando solos salinos e calcários. A espécie, também conhecida como pinheiro australiano, foi introduzida provavelmente com fins ornamentais, paisagísticos ou para estabilização de dunas em áreas como de Cabo Frio, RJ. 

 

Ecossistema ameaçado

A foto acima mostra um exemplar de Pithecolobium tortum que resistiu a uma queimada em um loteamento na restingade Itaipuaçu. A especulação imobiliária tem crescido assustadoramente na região e, somada à falta de fiscalização, vem afetando negativamente esta espécie, além de diversas outras que ainda são desconhecidas pela ciência. A espécie arbórea em questão é nativa, apresenta dispersão irregular e descontínua, ocorrendo geralmente em baixa densidade populacional. Aqui no Brasil é conhecida vulgarmente como tataré, jurema, jacaré, vinhático de espinho e angico branco. A árvore é bastante ornamental, principalmente pela forma da coloração do tronco; é apropriada para trabalhos de bonsai e paisagismo, principalmente para arborização urbana. Presta-se também para plantios mistos em áreas degradadas de preservação permanente. Fora do nosso país é conhecida como “brazilian raintree”.

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