A história do mobiliário chinês foi remontada por historiadores a partir de xilogravuras encontradas em escavações arqueológicas. Muitas dessas gravações em relevo continham o ancestral chinês ajoelhado ou sentado com as pernas cruzadas sobre esteiras rodeadas por várias mesas baixas. IncluÃam-se nesse cenário também algumas pinturas (telas), pergaminhos e outros descansadores para os braços, as pernas e suportes para diversos utensÃlios. Outros exemplos de mobiliário foram encontrados em escavações que datavam do antigo reino de Chu, cerca do ano 500 antes de Cristo. Alguns deles eram decorados com padrões únicos em laca colorida e esculpidos em alto relevo á mão livre. Esses achados revelam o nÃvel cultural do mobiliário daquela época, onde predominava a estética minimalista. Concomitantemente a fusão da forma prática e funcional se transformava em trabalhos artÃsticos únicos e se torna o principal condutor de toda concepção histórica do mobiliário chinês.

Registros que datam de 206 AC a 220 DC durante a dinastia Han indicam que inicialmente eram utilizadas plataformas baixas, chamadas de “ta†em cerimoniais de sacrifÃcio pelos dignitários religiosos da época.
Posteriormente apareceram as plataformas que eram usadas tanto para sentar como para reclinar e estas serviram como exemplo na fabricação de mesas mais altas utilizadas durante as refeições diárias.

Já no segundo século depois de Cristo, com a influência do Budismo, percebe-se que as cadeiras e as plataformas ficaram mais elaboradas. Mas foi durante a dinastia do norte e do sul (386 a 586 DC), que começaram a aparecer com mais freqüência bancos mais altos feitos em rattan.
A partir da dinastia Tang (618 a 907 DC) essas plataformas e também as cadeiras se tornaram comum entre a elite de acordo com pinturas da época. Cenas encontradas em pinturas do perÃodo dos Song do Norte e do Sul (960 a 1279), bem como mais achados arqueológicos ajudaram a remontar todo cenário deste perÃodo, onde o mobiliário chinês já era comumente usado em todos os cÃrculos da vida. Diversas cadeiras, mesas e bancadas foram amplamente utilizados nesta época. Muitos padrões básicos estabelecidos durante as dinastias Song continuaram amadurecer ao longo de todo o perÃodo Yuan e Ming. Mais tarde, durante os primeiros perÃodos de Ming e Qing móveis de estilo clássico foram produzidos em abundância utilizando-se madeiras mais duráveis. Após a queda da dinastia Ming, por volta do ano de 1644, a China novamente floresce em todos os âmbitos.
Este tipo mobÃlia acima chamada de estante dos tesouros ou “Duobaoge†foi concebida durante a Dinastia Qing e era utilizada para exibir preciosos trabalhos artÃsticos. As Duobaoge eram fabricadas de diversas formas dentro da mesma concepção e poderia ter apenas a simples função de decoração. Até hoje são consideradas pelos especialistas como o trabalho de marcenaria de mais representatividade do mobiliário no perÃodo Qing.
As mesas altas para expor flores, chamadas na China de “huaji†ou “huatai†aparecem logo no inÃcio do perÃodo Qing. Muitos acreditam que elas somente constam nas pinturas chinesas da época com intuito de representar esse tipo de trabalhos em marcenaria no perÃodo.

Embora no inÃcio da dinastia Qing os marceneiros geralmente seguissem os padrões clássicos, houve uma tendência para o refinamento correlacionando-se com que se permearam todas as artes decorativas que vemos hoje. A imagem abaixo mostra duas mesas idênticas que foram concebidas provavelmente no inÃcio do século 20.
Por fim, todas as mesas descritas anteriormente têm sua importância histórica e servem como inspiração na fabricação de novos modelos de mesas em todo mundo. Também com certeza foram as percussoras na exibição dos primeiros trabalhos com bonsai.